Coluna de estreia Marca no Ponto, por Luciana Pina
Vou começar com uma verdade que muita gente no food service talvez não goste de ouvir: o seu concorrente também faz comida boa.
Pronto. Falei.
Naquele aplicativo lotado, onde o dedo do cliente desliza mais rápido que garçom em happy hour, existem dezenas de opções oferecendo hambúrguer suculento, açaí cremoso, pizza artesanal, marmita executiva ou aquele prato que “sai voando no almoço”.
Comida boa continua sendo indispensável. Mas, em um mercado com tantas boas opções, ela deixou de ser o único fator de escolha.
É aí que entra a marca.
Meu nome é Luciana Pina, sou estrategista de posicionamento, branding, comunicação e autoridade. E chego à Revista TV Delivery para falar de um ingrediente que não aparece na ficha técnica, mas interfere diretamente na percepção, na preferência e no valor de um negócio: a forma como sua marca ocupa a mente do cliente.
Vamos colocar isso na régua do food service.
Existem operações que acabam competindo quase exclusivamente por preço. Entram na guerra do cupom, do frete grátis, da promoção permanente e do “preciso cobrar menos que o vizinho”.
O resultado costuma aparecer na margem apertada, na dificuldade de fidelização e naquela sensação de trabalhar cada vez mais para convencer o cliente a voltar.
Do outro lado, existem marcas que conseguem competir por valor.
O consumidor não procura simplesmente “um açaí”. Ele lembra daquele açaí. Não quer apenas “uma hamburgueria”. Quer aquela hamburgueria.
E isso não acontece apenas porque o produto é bom.
Acontece porque existe identidade, memoria, experiência, linguagem, consistência e uma razão clara para ser escolhido.
Essa é a força do posicionamento.
E não, posicionamento não é simplesmente ter uma logo bonita, uma embalagem charmosa ou um feed organizado. Tudo isso pode fazer parte da construção, mas posicionamento começa em uma pergunta muito mais importante:
Por que o cliente deveria escolher você entre tantas opções parecidas?
Posicionamento é a resposta clara para uma pergunta que o cliente faz em silêncio, muitas vezes em poucos segundos: “por que eu escolheria você?”
Talvez porque confie mais na sua marca. Porque já teve uma boa experiência. Porque sua apresentação desperta desejo. Porque a imagem me deu água na boca. Porque você parece mais rápido, mais consistente, mais próximo ou mais alinhado ao que ele procura naquele momento.
E sim, às vezes pode ser pelo preço. Mas quando essa é a única razão, a marca fica vulnerável: basta aparecer alguém cobrando menos.
Uma marca sem posicionamento claro tende a ser comparada pelo que é mais fácil medir: preço, prazo, promoção e conveniência. Uma marca bem posicionada acrescenta outros critérios à escolha: confiança, identidade, experiência, desejo e percepção de valor.
Marca constrói preferência.
E aqui está a boa notícia: posicionamento pode ser construído.
Não depende necessariamente de ser uma grande rede, ter dezenas de unidades ou possuir um orçamento milionário de marketing. Depende de clareza, estratégia, identidade e consistência.
Um pequeno restaurante pode ser referência em seu bairro. Uma hamburgueria pode criar uma comunidade. Uma confeitaria pode se tornar lembrada por uma experiência que começa muito antes da primeira mordida.
E é justamente sobre isso que vamos conversar por aqui.
Na Marca no Ponto, vamos falar sobre branding aplicado ao food service, posicionamento, comunicação, experiência do cliente, percepção de valor, conteúdo e autoridade.
Sem complicar o marketing e sem transformar cada tendência em obrigação.
Porque comida boa continua enchendo barriga.
Mas é a marca que ajuda a ocupar a memória, conquistar preferência e movimentar o caixa.
Nos vemos na próxima.
E pode vir com fome.
Luciana Pina
Posicionamento • Branding • Comunicação • Autoridade
@lucianapinaa







