Marca no Ponto, por Luciana Pina
Existe um ativo de marca subaproveitado em muitos negócios de gastronomia e delivery. Não é o logo. Não é a embalagem bonita. nem cardapio com Qrcode. É quem está por trás de tudo isso.É você, dono.
Se abriu esta coluna achando que “marca” é assunto apenas para o departamento de marketing, talvez seja hora de rever essa ideia.
No food service, o cliente não compra apenas comida. Compra também confiança.
E confiança tem rosto. Tem nome. Tem história…
Quando o consumidor conhece quem está por trás de um negócio, entende seus valores, sua trajetória e a forma como aquele produto é feito, a relação deixa de ser puramente comercial. Surge proximidade. Surge identificação. Surge credibilidade. E, muitas vezes, surge preferência.
É por isso que o rosto do dono pode se tornar um dos ativos mais poderosos de comunicação de uma marca.
Depois vem a pergunta:
“Por que o concorrente consegue criar tanta conexão?”
Porque o cliente sabe quem está do outro lado.
Observe alguns negócios que você admira.
Tem o padeiro que aparece cedo mostrando o pão saindo do forno.
A confeiteira que conta a história da receita que aprendeu com a avó.
O dono da hamburgueria que conversa com os clientes, mostra os bastidores e acaba virando uma figura conhecida no bairro.
Às vezes isso nasce de maneira espontânea.
Mas também pode e deve ser entendido como estratégia de marca.
E olha o plot twist: quanto mais simples o negócio, mais isso pesa.
A loja de bolos, o pastel da feira, o hot dog do trailer, a quentinha do bairro muitas vezes esses negócios não têm verba para grandes campanhas, salão instagramável ou embalagem sofisticada. Então, o que ajuda a diferenciar?
A pessoa. O rosto, por trás daquele sonho, daquele negocio.
É a tia da marmita que todo mundo chama pelo nome. O moço do trailer que já sabe o pedido de cor. A dona da loja de bolos que pergunta da família. A freguesia cria vínculo com quem está ali, não com um CNPJ abstrato. E é aí que muita gente se engana: rosto de dono não é luxo de marca grande. É um dos ativos mais acessíveis que existem, de qualquer negocio. Não exige grande orçamento exige presença, constância e verdade.
E aqui aparece uma objeção muito comum:
“Lu, eu sou tímido… Ahh. Não gosto de aparecer.”
Tudo bem.
Presença não significa virar influenciador.
Muito menos dançar trend segurando uma marmita na mão.
Presença é permitir que o cliente conheça quem sustenta aquela promessa de marca. Pode ser mostrar a cozinha. Contar como surgiu determinado prato.
Explicar por que você escolheu aquele ingrediente. Mostrar um erro, uma mudança, uma conquista. Apresentar sua equipe.
Ou simplesmente aparecer de vez em quando para dizer: “quando eu comecei, era só eu e uma ideia.
Isso também é autoridade.
Autenticidade não exige performance.
Exige coerência.
E talvez esse seja o ponto mais importante: produtos podem ser semelhantes. Cardápios podem ser parecidos. Preços podem se aproximar. Promoções podem ser copiadas.
Mas história, repertório, personalidade e visão de mundo são muito mais difíceis de reproduzir.
É aí que o dono deixa de ser apenas gestor da operação e passa a participar da construção simbólica da marca.
Não significa que toda empresa precise transformar seu fundador em celebridade.
Significa entender que, quando existe uma história verdadeira por trás do negócio, escondê-la pode significar desperdiçar um poderoso elemento de diferenciação.
Então, da próxima vez que pensar:
“Meu negócio fala por si.”
Vale lembrar:
Negócios não falam sozinhos.
Pessoas falam por eles.
E, em muitos casos, a pessoa mais importante dessa narrativa é justamente quem teve coragem de começar.
Apareça do seu jeito.
O mercado já está cheio de produtos.
O que continua raro são marcas com identidade, história e gente de verdade por trás delas.
Marca no Ponto é isso: quando sua comunicação, sua experiência e sua percepção de valor estão alinhadas.
Sua comida pode estar no ponto. Mas e a sua marca?
Nos vemos na próxima.
E dessa vez, com a cara na janela. 😉
Luciana Pina @lucianapinaa
Posicionamento • Branding • Comunicação • Autoridade

